Como produzir nada menos do que a melhor das cachaças

Como produzir nada menos do que a melhor das cachaças

Fatores ambientais, cuidados e controles

 

Tradição

A tradição tem seu peso.

A Sapucaia, por exemplo, é uma das ultimas grandes propriedades rurais do Vale do Paraíba. Está numa planície entre as Serras do Mar e Mantiqueira, região de antigas e boas cachaças, em Pindamonhangaba, São Paulo.

A fazenda pertenceu a Cícero Prado, um  lendário promotor de iniciativas pioneiras. Por volta de 1933, ele começou a destilar cachaças de qualidade excepcional, voltadas à exportação.

A produção continuou por cerca de 45 anos e a SAPUCAIA VELHA tornou-se uma das primeiras cachaças a serem exportadas para o mundo todo. Assumiu também uma posição de grande destaque no mercado interno de cachaças finas.

Nos anos 70, as atividades da fazenda foram interrompidas por problemas jurídicos, decorrentes do falecimento de Cícero Prado. Muitos estoques e equipamentos, felizmente, foram conservados.

No início dos anos 90, definidas as questões legais, nós da Sapucaia, voltamos a plantar muitos canaviais, a partir das mesmas variedades consagradas e de outras novas, especiais para cachaça.

Voltamos à plena produção aumentando para 5 o número de alambiques; colocamos ao lado dos antigos tonéis, mais de 350 novos aprimorando ainda mais a qualidade e higiene do processo todo, com máquinas modernas de engarrafamento e um sistema rígido de controle de qualidade.

 

Canas selecionadas e colheita manual

 

Produzimos na própria fazenda toda a cana de que necessitamos, com cultivares específicos para cachaças de qualidade e não para álcool e açúcar.

Recuperamos algumas variedades da época, mas adquirimos também mudas de última geração, com canas precoces, normais e tardias, que nos dão condições otimizadas de produção durante mais meses do ano.

A nossa colheita é 100% manual, que permite seleção aprimorada. Não usamos nunca o fogo para limpar a palhada de cana e facilitar a colheita. Essa prática, muito usual, reduz muito o custo da colheita em detrimento da qualidade da cachaça e da conservação ambiental.

Nossas canas estão plantadas ao redor do engenho e são trazidas em pequenas quantidades, com carros de bois, várias vezes por dia, para moermos canas cortadas ainda frescas. Não usamos as grandes carretas que permanecem horas no campo esperando dezenas de toneladas serem carregadas para o engenho, muito distante. A cana, muitas vezes, acaba sendo moída mais de 24 horas após o corte. Nesses casos ocorrem pré-fermentações, nocivas à  qualidade.

Todos os resíduos são utilizados diretamente na própria fazenda, como combustível e adubo, ou ainda, transformados em composto orgânico e depois utilizados na lavoura.

 

Produção artesanal com controles moderno

 

Nossos métodos fazem questão de repetir as boas tradições.

Muitos dos habitantes do Vale estão arraigados a seus lugares de origem e foi possível assim, recuperar alguns mestres cachaceiros, descendentes diretos dos antigos responsáveis pela produção da SAPUCAIA VELHA. Não admitimos as colunas de destilação, próprias para a fabricação de milhões de litros de álcool. Os produtos decorrentes, uniformizados artificialmente em blendas ou misturas, sem origem determinada, reduzem drasticamente os custos e inundam os mercados. Não é para esse tipo de consumidor, que não conhece ou não pode escolher, que produzimos. Não basta um pouco de água e açúcar a mais no álcool para se conseguir uma boa bebida.

Nunca usamos subprodutos da cana como o melaço, de uso generalizado para as cachaças mais baratas.

Usamos sempre os velhos e tradicionais alambiques, mas desenvolvemos técnicas modernas para impedir o arraste de produtos nocivos como o cobre, os metais pesados e o furfurol, moléculas essas que diminuiriam a qualidade.

Nossa Sapucaia Velha atende, portanto, as exigências sanitárias mais severas existentes no mercado internacional.

Não usamos qualquer aditivo ou substância química. A garapa, ou seja, o suco da cana, é rapidamente extraída por simples pressão, nas condições ideais para que os fermentos, as leveduras selecionadas, transformem o açúcar no álcool da cachaça, dentro do seu ciclo biológico natural de cerca de 20 horas.

Após a fermentação, o chamado vinho vai para os alambiques destiladores, onde a fervura (o combustível e a lenha + bagaço de cana) produz a cachaça.

A primeira fração destilada mais alcoólica é descartada por nós. Ela é chamada cabeça e contem substâncias voláteis cujo paladar acabaria prejudicando a qualidade da cachaça fina.

A última parte, pouco alcoólica, chamada água fraca, é também descartada pois contem frações mais pesadas que comprometeriam o sabor.

Tais perdas, aceitas por nós em beneficio da qualidade, superam os 30%.

 

Há duas práticas generalizadas que nós nunca usamos. Uma é misturar a cabeça com a água fraca para obter um produto de graduação alcóolica aceitável e misturar tudo na cachaça. Outra é recolocar o refugo no alambique e destilar com a nova garapa. A produção aumentaria assim em uns 30%, mas a qualidade não nos pareceria digna do nome SAPUCAIA.

 

Outro cuidado, infelizmente oneroso, mas decisivo na qualidade, é o envelhecimento.

Isto vale para as bebidas destiladas em geral e talvez seja ainda mais verdadeiro para a cachaça. Ocorre, na bebida destilada, um processo natural de maturação como em certas frações de aldeídos e outras frações voláteis indesejáveis que lentamente se dissipam. Por outro lado, há aromas e essências das madeiras dos tonéis que se incorporam ao longo dos anos.

O resultado é aquele paladar inconfundível das bebidas especiais. Elas se tornam macias e muito mais saudáveis. Costuma-se dizer: “não dá dor de cabeça” ou “a gente percebe no dia seguinte”. Um paladar refinado percebe logo, nem precisa esperar pelo dia seguinte.

 

Somos provavelmente os primeiros, e talvez os únicos produtores, a indicar no rótulo o ano da safra da cachaça. A influência do clima de um determinado ano no sabor não é assim tão grande, mas o ano da safra serve como testemunho do envelhecimento das nossas melhores cachaças.

A título de curiosidade: além do capital imobilizado nos tonéis de madeira e na própria bebida, a evaporação atinge mais de 5 % por ano.

Apesar do pesado ônus financeiro, armazenamos a SAPUCAIA VELHA nos tonéis de madeira, com muita  paciência e por longos anos, sempre  dentro dos mais rígidos padrões de higiene e qualidade, nacionais e internacionais.

Tudo para que você possa desfrutar do melhor.

 

Engarrafamento e embalagem

 

Nosso engarrafamento e a colocação das tampas metálicas de rosca são semi-automáticos e absolutamente higiênicos.

A proteção do produto é considerada boa em todas as partes do mundo.

Nossas garrafas têm um design especial, patenteado desde os anos 30, que reflete o estilo “decô” da época.

Os rótulos tradicionais foram tão somente adaptados às exigências atuais.

 

Produtos

 

Temos três produtos básicos, diferenciados pelos anos de envelhecimento. São apresentados em caixas de papelão com seis unidades.

 

SAPUCAIA FLORIDA, rótulo vermelho, com um ano ou mais. Desta  cachaça produzimos duas variedades, de preços, idades e qualidades iguais.

Uma de um branco cristalino, que muitos preferem para as caipirinhas, envelhecida em tonéis de madeira Amendoim.

Outra mais amarela, envelhecida no clássico Carvalho.

 

SAPUCAIA VELHA TRADICIONAL, rótulo verde, com cinco anos.

 

SAPUCAIA VELHA RESERVA DA FAMÍLIA, rótulo azul, com dez anos ou mais.

 

Como aproveitamento das canas não selecionadas para produção da SAPUCAIA por terem um teor alcóolico variável ou outras razões, produzimos um volume menor de uma cachaça mais econômica chamada SENZALA. Dentro de uma garrafa mais simples, ela é, ainda assim, muitíssimo superior às cachaças usuais do mercado.

 

A melhor Caipirinha

 

Quanto melhor, mais suave e mais velha a cachaça, melhor é a caipirinha, é claro!

Ela requer menos açúcar ou adoçante, por exemplo. Destaca-se assim a harmonia natural entre o sabor delicado da boa cachaça e o limão. Experimente e comprove.

A qualidade natural das nossas cachaças artesanais é tal, que já a Sapucaia Florida produz uma esplendida caipirinha.

Até mesmo a Senzala, muito econômica, pode ser usada com decoro.

Fazenda Sapucaia